Tradução: Felipe Matos Walter
Genebra, 1º de março de 2010 – Onze anos depois do Tratado de Banimento das Minas Terrestres se tornar norma vinculante do direito internacional, ativistas de todo o mundo estão fazendo seu chamado para a assinatura do tratado pelos Estados Unidos da América.
Os Estados Unidos anunciou, no ultimo mês de novembro, que iniciou uma revisão de sua política sobre minas terrestres. Laureados pelo prêmio Nobel da Paz – a Campanha Internacional pela Erradicação das Minas Terrestres (ICBL em inglês) estão visitando dúzias de embaixadas estadunidenses em todo o planeta no aniversario do tratado, em primeiro de março, para acelerar a decisão dos E.U.A em ingressar no Tratado de Banimento das Minas Terrestres o quanto antes.
“Estamos satisfeitos de que os Estados Unidos decidiram fazer uma revisão em sua posição sobre o banimento das minas terrestres antipessoal,” disse Sylvie Brigot, Diretora Executiva da ICBL. “Durante o processo de revisão das políticas, é crucial que aqueles que tomam as decisões ouçam as vozes dos sobreviventes de minas terrestres e das comunidades afetadas por minas.”
Os Estados Unidos não utiliza minas antipessoais desde 1991, teve suas exportações banidas desde 1992 e não produz desde 1997.
“Os custos humanos da utilização de minas ultrapassa sua utilidade militar. Uma maioria esmagadora de estados reconheceram formalmente isto”, disse Zach Hudson, Coordenador da Campanha Norte-Americana pelo Banimento das Minas Terrestres. “O argumento da segurança nacional não é cabível. Com certeza se conseguimos defender nosso país pelos últimos 19 anos sem usar minas terrestres, nós já encontramos soluções alternativas.”
Os Estados Unidos participaram pela primeira vez como observadores em um encontro oficial do Tratado de Banimento das Minas Terrestres, no “Encontro de Cúpula de Cartagena Por um Mundo Sem Minas”, ocorrido em dezembro de 2009. Os E.U.A. são os maiores contribuintes individuais em todo o mundo para programas de ações contra minas e assistência às vitimas, e deveriam combinar seu comprometimento financeiro com seu comprometimento político para terminar com a ameaça do uso de minas terrestres.
“A urgente necessidade de aumentar a assistência aos sobreviventes de minas terrestres estava entre os destaques do Encontro de Cartagena,” explicou Firoz Ali Alizada, representante da ICBL para implementação do tratado e um sobrevivente de minas. “Dada à magnitude dos desafios que temos pela frente quanto a assistência as vitimas, nos precisamos de todos os Estados, Inclusive os Estados Unidos, para se comprometer formalmente com o tratado de banimento das minas terrestres. Fazendo isso, eles vão reforçar o banimento desta arma como a única norma aceitável, e ajudar a garantir aos sobreviventes de minas de ver seus direitos respeitados e de receber uma assistência total.”
Adotado em 1997, o Tratado de Banimento das Minas Terrestres entrou em vigor dia 1º de março de 1999, apenas quinze meses depois do texto ser adotado – foi o menor tempo de negociação de todos para um tratado internacional entrar em vigor. O tratado bane exaustivamente todas as minas antipessoal, requer a destruição das minas armazenadas em até quatro anos, requer a destruição das minas plantadas no solo em até dez anos, e acelera programas extensivos de assistência as vitimas de minas terrestres.
Pano de Fundo e Números
Oitenta por cento do países do mundo (156 países) já são partes do Tratado de Banimento das Minas Terrestres. Outros dois estados assinaram, mas ainda não ratificaram. China, Rússia e os Estados Unidos estão entre os 37 países que ainda não são parte. Mas quase todos estes países são de fato complacentes com a maioria das disposições do tratado. Todos os membros da OTAN possuem compromissos com o uso de minas antipessoal, exceto pelos E.U.A., assim como outros aliados chave como Afeganistão, Iraque, Austrália e Japão. No hemisfério Ocidental somente os Estados Unidos e Cuba ainda não são parte do tratado de banimento das minas terrestres.
Cerca de 44 milhões de minas antipessoal foram destruídas nos estoques desde que o tratado antiminas foi adotado, somente 13 dos mais de 50 países que produziam minas antipessoal no começo dos anos 90 ainda possuem capacidade de produção, o comércio de minas antipessoal está virtualmente parado, e uma grande área de terra foi limpa e voltaram a ser produtivas. As minas ainda contaminam 70 países.





