Onze anos de banimento das minas antipessoal – Chegou a Hora dos Estados Unidos da América aderirem ao Tratado de Banimento das Minas

March 3rd, 2010

Tradução: Felipe Matos Walter

Genebra, 1º de março de 2010 – Onze anos depois do Tratado de Banimento das Minas Terrestres se tornar norma vinculante do direito internacional, ativistas de todo o mundo estão fazendo seu chamado para a assinatura do tratado pelos Estados Unidos da América.
Os Estados Unidos anunciou, no ultimo mês de novembro, que iniciou uma revisão de sua política sobre minas terrestres.  Laureados pelo prêmio Nobel da Paz – a Campanha Internacional pela Erradicação das Minas Terrestres (ICBL em inglês) estão visitando dúzias de embaixadas estadunidenses em todo o planeta no aniversario do tratado, em primeiro de março, para acelerar a decisão dos E.U.A em ingressar no Tratado de Banimento das Minas Terrestres o quanto antes.
“Estamos satisfeitos de que os Estados Unidos decidiram fazer uma revisão em sua posição sobre o banimento das minas terrestres antipessoal,” disse Sylvie Brigot, Diretora Executiva da ICBL. “Durante o processo de revisão das políticas, é crucial que aqueles que tomam as decisões ouçam as vozes dos sobreviventes de minas terrestres e das comunidades afetadas por minas.”
Os Estados Unidos não utiliza minas antipessoais desde 1991, teve suas exportações banidas desde 1992 e não produz desde 1997.
“Os custos humanos da utilização de minas ultrapassa sua utilidade militar. Uma maioria esmagadora de estados reconheceram formalmente isto”, disse Zach Hudson, Coordenador da Campanha Norte-Americana pelo Banimento das Minas Terrestres. “O argumento da segurança nacional não é cabível. Com certeza se conseguimos defender nosso país pelos últimos 19 anos sem usar minas terrestres, nós já encontramos soluções alternativas.”
Os Estados Unidos participaram pela primeira vez como observadores em um encontro oficial do Tratado de Banimento das Minas Terrestres, no “Encontro de Cúpula de Cartagena Por um Mundo Sem Minas”, ocorrido em dezembro de 2009. Os E.U.A. são os maiores contribuintes individuais em todo o mundo para programas de ações contra minas e assistência às vitimas, e deveriam combinar seu comprometimento financeiro com seu comprometimento político para terminar com a ameaça do uso de minas terrestres.
“A urgente necessidade de aumentar a assistência aos sobreviventes de minas terrestres estava entre os destaques do Encontro de Cartagena,” explicou Firoz Ali Alizada, representante da ICBL para implementação do tratado e um sobrevivente de minas. “Dada à magnitude dos desafios que temos pela frente quanto a assistência as vitimas, nos precisamos de todos os Estados, Inclusive os Estados Unidos, para se comprometer formalmente com o tratado de banimento das minas terrestres. Fazendo isso, eles vão reforçar o banimento desta arma como a única norma aceitável, e ajudar a garantir aos sobreviventes de minas de ver seus direitos respeitados e de receber uma assistência total.”
Adotado em 1997, o Tratado de Banimento das Minas Terrestres entrou em vigor dia 1º de março de 1999, apenas quinze meses depois do texto ser adotado – foi o menor tempo de negociação de todos para um tratado internacional entrar em vigor. O tratado bane exaustivamente todas as minas antipessoal, requer a destruição das minas armazenadas em até quatro anos, requer a destruição das minas plantadas no solo em até dez anos, e acelera programas extensivos de assistência as vitimas de minas terrestres.
Pano de Fundo e Números
Oitenta por cento do países do mundo (156 países) já são partes do Tratado de Banimento das Minas Terrestres. Outros dois estados assinaram, mas ainda não ratificaram. China, Rússia e os Estados Unidos estão entre os 37 países que ainda não são parte. Mas quase todos estes países são de fato complacentes com a maioria das disposições do tratado. Todos os membros da OTAN possuem compromissos com o uso de minas antipessoal, exceto pelos E.U.A., assim como outros aliados chave como Afeganistão, Iraque, Austrália e Japão. No hemisfério Ocidental somente os Estados Unidos e Cuba ainda não são parte do tratado de banimento das minas terrestres.
Cerca de 44 milhões de minas antipessoal foram destruídas nos estoques desde que o tratado antiminas foi adotado, somente 13 dos mais de 50 países que produziam minas antipessoal no começo dos anos 90 ainda possuem capacidade de produção, o comércio de minas antipessoal está virtualmente parado, e uma grande área de terra foi limpa e voltaram a ser produtivas. As minas ainda contaminam 70 países.

CARTA DA CAMPANHA BRASILEIRA CONTRA MINAS TERRESTRES E BOMBAS CLUSTER AO EMBAIXADOR DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA NO BRASIL

March 3rd, 2010

EMBAIXADOR THOMAS SHANNON JR

Como membros da sociedade civil brasileira, nós, da Campanha Contra as Minas Terrestres Antipessoal e Bombas Cluster, membros da International Campaign to Ban Landmines, nobel da paz de 1997, e da Cluster Munition Coalition, gostaríamos de oferecer-lhe as boas-vindas ao Brasil e aproveitar a ocasião para apresentar-lhe uma reivindicação, considerando o recente anúncio do Departamento de Estado em revisar a política sobre as minas terrestres.

Ainda que os EUA sejam os maiores financiadores das ações antiminas, primeira participação dos EUA no Décimo Encontro dos Estados Partes do Tratado de Ottawa, que se realizou em final de 2009 foi inspirador. O primeiro passo está dado. Mas ainda há muito a ser feito pelo fim do flagelo humano que as minas terrestres representam.

As minas terrestres antipessoal são armas que matam e flagelam indiscriminadamente, durante e após os conflitos armados. Tendo sido utilizadas em mais de 100 países pelo planeta, produzida por 50 Estados, as minas antipessoal chegaram a gerar uma vítima a cada vinte e dois minutos, o que provocou uma mobilização maciça da sociedade civil, organizações internacionais e representantes de Estado, culminando em um tratado internacional sobre a destruição dos estoques, proibição do uso, armazenamento, produção e comércio de minas antipessoal, incluindo a obrigação de cooperação internacional e assistência às vítimas, o Tratado de Ottawa

O Tratado de Ottawa de 1997, que propugna pela erradicação total das minas terrestres antipessoal, entrou em vigor em 1º de março de 1999. Atualmente são 156 Estados Partes, com um nível de implementação considerado paradigma para outros tratados de desarmamento e de direito humanitário. Todavia, os Estados Unidos da América ainda não é parte desta importante convenção.

As políticas adotadas nos últimos anos pelos EUA a respeito das minas terrestres antipessoal indicam o reconhecimento dos princípios e obrigações do Tratado de Ottawa. Os EUA não usam minas antipessoal desde 1991, não exporta desde 1992 e não produz desde 1997.  Nesse sentido, é coerente com a nova ordem mundial que os EUA se tornem parte do Tratado de Ottawa.

Por estas razões e em simetria com a nova ordem mundial, urgindo por uma participação mais ativa dos EUA na política antiminas é que, nós, da Campanha Brasileira contra Minas Terrestres e Bombas Cluster lhes damos as boas-vindas.

Brasília, DF, Brasil, 1º de março de 2010 – 11º aniversário da entrada em vigor do Tratado de Ottawa,

Felipe de Matos Walter

Gustavo Oliveira Vieira

Santiago Artur Berger Sito

Júlia Marques Rebelato

Campanha Brasileira Contra Minas Terrestres e Bombas Cluster

www.porumbrasilhumanitario.org

www.icbl.org

Brasileiro ganha prêmio em Cartagena por documentário sobre Minas Terrestres

December 21st, 2009
Vinícius recebe o prêmio em Cartagena, Colômbia.

Vinícius recebe o prêmio em Cartagena, Colômbia.

O concurso internacional “Por Una Colombia Sin Minas Antipersonal” promovido pela ONG Handicap international e pelo grupo de ativistas colombianos anti-minas GTO14, com financiamento da Embaixada da Suiça na Colômbia e apoiado pelo Festival Internacional de Cine de Cartagena das Índias, recebeu 25 documentários sobre a questão das minas terrestres. Desses, dez foram Selecionados para exibição em três praças públicas durante a Segunda Conferência de Revisão do Tratado de Ottawa (que proibiu as minas antipessoais em 1997) realizada na cidade colombiana de Cartagena entre 30/11/2009 e 04/12/2009.

A premiação do Concurso ocorreu na Plaza de La Aduana, um dos principais pontos turísticos de Cartagena, na noite de 3 de dezembro de 2009. Foram premiados três documentários. O primeiro lugar coube a “América Minada“, de 27 minutos, produzido no Brasil por Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá. Em segundo ficou  ”Explosión de Vida“, de 26 minutos, dirigido pelo colombiano Jaime Franco Posada, do grupo de técnicos em educação para o risco de minas SENA – Cauca. E em terceiro “En El Patio De Mi Casa” do também colombiano Elkin Ariza.

Mais de 50 pessoas, a maioria vítimas de minas e ativistas que trabalharam nas produções, acompanharam a cerimônia de premiação com a exibição dos filmes vitoriosos, além das centenas de turistas que passaram pelo local. Infelizmente as principais autoridades internacionais presentes à Conferência, incluindo o vice-presidente da Colômbia Francisco Santos (responsável pelo Programa Presidencial para la Acción Integral contra Minas Antipersonal – Paicma), participavam no mesmo horário de uma recepção de gala promovida pelo governo colombiano. Assim, não puderam ouvir os pronunciamentos dos premiados que, além de agradecer aos realizadores do concurso denunciaram a sutil estratégia das autoridades para desviar a atenção do público das vítimas de minas no continente (somente na Colômbia somam mais de 8.000 nos últimos 10 anos) para outras realidades também crueis como as bombas cluster (de fragmentação) na Europa, Ásia e Oriente Médio.

“Esta era a última chance que a Colômbia tinha para mostrar à opinião pública mundial a devastação causada pelas minas terrestres no país e no continente”, afirmou o diretor de América Minada,Vinicius Souza, ao receber o primeiro prêmio no concurso. “Em mais 15 ou 20 anos os olhos do mundo já não poderão mais evitar e serão obrigados a olhar novamente para essa tragédia na Colômbia. Mas então o país será conhecido mundialmente como uma nação de camponeses mutilados, exatamente como são conhecidos hoje países como o Camboja e o Vietnã”.

Mais informações sobre o Concurso em:

http://mediaquatro.sites.uol.com.br/minas-video.html

http://www.festicinecartagena.org/fcc/noticias-detail.cfm?id_noticia=134

http://www.handicap-international.org/

http://gto14.org/

Carta produzida em Cartagena e entregue ao Embaixador do Brasil na Colômbia

December 7th, 2009

AO MINISTRO DE RELAÇÕES EXTERIORES, EMBAIXADOR CELSO AMORIM

Embaixador do Brasil à Colômbia,

2º Secretário do Ministro de Relações Exteriores, da DDS, Fábio Dias

Convenção de Ottawa – Minas antipessoal

Em primeiro lugar, gostaríamos de valorizar a importante contribuição do Brasil na estigmatização mundial das minas terrestres antipessoal. Após resistências iniciais, o Brasil participou ativamente das negociações da Convenção de Ottawa, tornando-se Estado Parte da pouco tempo após a sua entrada em vigor internacional. A partir de então, o Brasil tem atendido sistematicamente as suas obrigações internacionais daí decorrentes, com a submissão de relatórios anuais de transparência nos termos do artigo 7º da referida Convenção, a destruição dos estoques no prazo estabelecido no artigo 3º, a cooperação internacional pela erradicação das minas noutros países afetados das Américas em atenção ao artigo 6º, a promulgação da legislação nacional exigida pelo artigo 9º (lei 10.300) e atendendo aos encontros da comunidade internacional sobre o tema.

Minas Retidas para Treinamento – Artigo 3º

Ainda assim, entendemos que o número de minas retidas para treinamento ainda é excessivo. O Brasil tem o 3º maior número de minas retidas para treinamento entre todos os Estados Partes da Convenção de Ottawa. O Brasil já fez muito treinamento qualificado sem o uso de minas vivas, assim como acontece em tantos Estados e demais instituições de desminagem estrangeiras. Especialistas afirmam que as minas inertes podem ter utilidade equivalente.

Medidas de transparência – Artigo 7º

Além disso, o Brasil não tem utilizando o Formulário D emendado para dispor sobre os planos de uso das minas retidas. Há pelo menos três anos chamamos o Brasil a utilizar este mecanismo de transparência, projetado exatamente para aqueles Estados que mais retém minas para treinamento. Entendemos que a transparência é um meio indispensável para que o Brasil justifique adequadamente sua postura perante a comunidade internacional.

Cooperação Internacional – Artigo 6º

A contribuição do Brasil na desminagem das América Central e na América do Sul tem sido um positivo destaque. Conquanto, o Brasil tem capacidade de expandir esta cooperação para outros Estados, especialmente os países de língua portuguesa tão severamente afetados por minas terrestres. Não teremos um mundo livre de minas sem cooperação internacional. Mais do que isso, a cooperação internacional do Brasil não pode se limitar à desminagem. A assistência aos sobreviventes de minas terrestres antipessoal é um desafio mundial que será enfrentando apenas com uma cooperação internacional inclusiva, da qual o Brasil pode tornar-se parte ativa com o oferecimento de meios para reabilitação física, psicossocial e inclusão social ampla.

Munições cluster

Em contradição à postura adotada na Convenção de Ottawa, da Convenção sobre Pessoas com Deficiência, o Brasil (ainda) produz, (ainda) armazena e (ainda) exporta bombas cluster que geram danos inaceitáveis a civis, na contramão dos recentes avanços humanitários produzidos pela comunidade internacional em favor da erradicação dessas armas, no âmbito da Convenção sobre Munições Cluster, aberta para assinaturas no final do último ano.

Fora da ONU

Uma das alegações do Ministério de Relações Exteriores para não assinar a Convenção de Oslo diz respeito à autonomia do processo de negociação em relação ao standard da ONU. O Brasil é parte de vários tratados internacionais firmados fora do sistema da ONU, como a Convenção de Ottawa, as Convenções de Genebra, entre outras. Isso comprova que é possível e legítima a produção de textos legais juridicamente vinculantes não originários do sistema da ONU.

O Brasil tem se esforçado para negociar um protocolo à CCAC, no âmbito da ONU. Um fórum que exige consenso e não tem as mínimas condições de realmente enfrentar a problemática humanitária que exsurge das munições cluster. Isso já ficou provado pelo Protocolo II emendado. Ainda assim, não há dúvidas de que o consenso exigido entre seus Estados Partes poderá produzir um texto vinculante, mas, por certo, insuficiente para a demanda humanitária exigida pela comunidade internacional.

Discriminatório

Outro argumento utilizado pelo governo para não assinar a Convenção de Oslo é afirmar que o tratado é discriminatório. Durante as negociações buscamos, no âmbito da CMC, o banimento total, sem exceções. Ainda assim, é preciso reconhecer que a definição de bombas cluster dada pelo tratado prevê o banimento de todas as munições já utilizadas, e, a soma de critérios exigidos oferece uma solução ao risco humanitário que tais munições representam. Entendemos que o objetivo final de proteção do direito internacional humanitário permanece. A “discriminação” não tem por objetivo proteger países que tenham tecnologia para produção em detrimento dos mais pobres. O conjunto de critérios do artigo 2º §2º da Convençaõ de Oslo mantém o propósito para que as futuras munições desta natureza não sejam capazes de produzir danos inaceitáveis a civis. Trata-se, pelo contrário, de desenhar um conceito de bomba que não poderá mais ser aceita como armamento presente nos estoques das forças armadas do século XXI.

Não tem fundamento o Brasil trabalhar para um mundo com mais armas. Além de violar o Direito Internacional Humanitário em seus princípios de distinção e proporcionalidade, inobserva as premissas básicas pela paz e pelos direitos humanos da comunidade internacional expressos pela Carta das Nações Unidas e os princípios constitucionais do artigo 4º que devem reger o Brasil em sua política externa, de defesa da paz e prevalência dos direitos humanos. Por tudo isso é um imperativo jurídico e moral que o Brasil alinhe-se à comunidade internacional pela erradicação das munições cluster.

Em termos pragmáticos, não haverá espaço no mundo para o uso e a exportação de bombas cluster. Conforme o Protocolo V da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, o país que usar bombas cluster é responsável pela posterior limpeza dos terrenos, o que encarece e praticamente inviabiliza a sua utilização pelos custos humanitários, financeiros e operacionais. Ademais, a estigmatização global destas armas inviabiliza seu uso e exportação pela redução do seu uso potencial e pelo desgaste político junto às comunidades local e internacional. Assim, o uso se torna aos poucos inviabilizado por razões morais ou humanitárias, políticas, operacionais e financeiras e o comércio reduzido pela diminuição da demanda para exportação. Sem razões práticas, portanto, para o Brasil manter a posição atual.

A preponderância da lógica comercial em face das proposições de avanço humanitário demonstram um pragmatismo amoral, repudiado pelo próprio Brasil em tantos momentos. A mudança que o mundo precisa é noutro sentido. Por isso, entendemos que a emergência do Brasil como global player deve ser destacada por um novo tipo de liderança necessária para as mudanças que a humanidade precisa, sem seguir os criticados passos das conhecidas e humanamente reprováveis posições belicosas dos grandes atores globais que marcaram o breve século XX.

Nesse sentido, vimos por este meio urgir para que o Brasil:

- Amplie a cooperação internacional, principalmente com os países de língua portuguesa, para que os países afetados possam atingir os prazos previstos no artigo 5º e expandindo para além da remoção de minas;

- Informe no relatório de transparência do artigo 7º de acordo com os novos formulários, especialmente o formulário D emendado sobre o uso de minas retidas para treinamento.

- Diminua consideravelmente seus estoques de minas terrestres para treinamento, promovendo a capacitação de seus militares através de minas inertes,

- Reconsidere sua posição em relação à proibição das submunições cluster e assine a “Convenção sobre Munições Cluster”.

Cartagena de Indias, Colômbia, 3 de dezembro de 2009.

Gustavo Oliveira Vieira, Cristian Ricardo Wittmann, Felipe Matos Walter, Julia Rebelato, Santiago Artur Berger Sito

Campanha Brasileira Contra Minas Terrestres e Bombas Cluster

brasil@icbl.org

No Dia Mundial da Deficiência o Brasil é questionado sobre Bombas de Fragmentação

December 3rd, 2009

Cartagena sedia esta semana a 2ª Conferência de Exame da Convenção de Ottawa sobre a erradicação das minas terrestres. Este 3 de dezembro de 2009 celebra os 12 anos da Convenção de Ottawa e 1º ano da Convenção de Oslo, que também é o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. Três temas eminentemente ligados.

As minas terrestres antipessoal utilizadas ao longo de várias década no século XX deixaram um legado de morte e sofrimento tanto durante quanto muito tempo após os conflitos armados. Estima-se que existam entre 300 e 400 mil sobreviventes de acidentes com minas em aproximadamente 100 países. Diariamente estima-se que ocorram mais de 20 acidentes com minas antipessoal, fazendo com que as pessoas percam suas pernas, braços, a visão, etc. E, durante anos, o Brasil produziu e exportou minas terrestres antipessoal a vários países.

A Convenção de Ottawa foi aberta para assinaturas em 1997, prevendo a proibição do uso, armazenamento, comércio, produção e a destruição dos estoques, além de estabelecer a responsabilidade pela assistência às vítimas. Hoje são 156 Estados partes deste tratado, incluindo o Brasil.

Outro armamento que pode funcionar como mina terrestre são as munições cluster (bombas de fragmentação). São bombas, como uma espécie de contêiner, que se abrem no ar e dispersam dezenas ou centenas de submunições, tipo granadas, que devem explodir ao tocar o solo ou o alvo. Mas imprecisão e as taxas de falha são altíssimas. Laos sofreu, entre os anos 60 e 70, ataques com 270 milhões de submunições cluster, estimando-se que 30% tenham falhado. Em 2006, Israel jogou sob o sul do Líbano 4 milhões de submunições, e um milhão aproximadamente falhou (Comitê Internacional da Cruz Vermelha ). Estas submunições são sérias ameaças à sobrevivência e integridade física das pessoas, que ficam mutiladas e/ou adquirem deficiências permanentes. O Brasil produz, exporta e armazena estas armas.

Um tratado internacional foi aberto para assinaturas no ano passado para erradicar as munições cluster (Convenção de Oslo). O Brasil não assinou a Convenção de Oslo. Assim como os milhares de minas antipessoal brasileiras ainda existentes,  bombas ainda hoje produzidas no Brasil estão sendo utilizadas mundo a fora e ameaçando ampliar no número de vitimas e pessoas com deficiência.

Apenas no âmbito da America Latina e dos Países de Língua Portuguesa, os seguintes países estão afetados por minas antipessoal e/ou por bombas clusters: Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Colômbia, El Salvador, Malvinas/Falkalands, Peru, Equador, Nicarágua, Venezuela, Chile entre outros.

É preciso que o Brasil assuma imediatamente sua responsabilidade, no âmbito da cooperação internacional Sul-Sul e estabeleça políticas e programas de assistência às vitimas de minas terrestres, bombas cluster e às pessoas com deficiência, suas famílias e comunidades, em geral.

É também impositivo, pelos princípios constitucionais que devem reger a política externa brasileira e pela coerência com a postura em prol dos direitos humanos assumidas pelo Brasil, através da ratificação da Convenção pelos Direitos das Pessoas com Deficiência e Convenção de Ottawa, que o Brasil se torne parte da Convenção de Oslo, prevenindo futuros acidentes causados por armas produzidas no nosso país.

Celebremos o Dia Mundial das Pessoas com Deficiência (3 de Dezembro) e o Dia Mundial dos Direitos Humanos (10 de Dezembro) unindo nossas vozes em apoio e solidariedade a um mundo livre de violência, onde todas as pessoas vivam, sem essas ameaças, com dignidade e direitos iguais.

Instituto Interamericano sobre Discapacidad y Desarrollo Inclusivo
- Haciendo nuestra parte en la construcción de una sociedad para todos y todas -

Ativistas pelo banimento das minas terrestres exigem ações estatais concretas no Encontro da Cúpula Mundial Contra as Minas Terrestres

December 1st, 2009

Cartagena Summit on a Mine-Free World

Cartagena Summit on a Mine-Free World

Traduzido por Felipe Walter

Cartagena, 30 de novembro de 2009  – Mais de mil ativistas, sobreviventes, realizadores da ação antiminas, especialistas e representantes dos governos de todo o mundo estão reunidos na Colômbia esta semana, para a Reunião de Cúpula de Cartagena por um Mundo Livre de Minas, incluindo dezenas de representantes dos governos de alto nível. O Encontro de Cartagena, que acontece de 29 de novembro a 4 de dezembro. Trata-se da Segunda Conferência de Exame do Tratado pelo Erradicação das Minas, que reúne a comunidade internacional para avaliar  os progressos feitos e identificar as ações necessárias para concretizar completamente a expectativa de um mundo livre de minas.

A Campanha Internacional pelo Banimento das Minas Terrestres (ICBL), com delegação de 400 pessoas, representando todas as regiões do mundo, está chamando aos governos para ir além de promessas e declarações de ajuda e, efetivamente concretizar mediante ações simultâneas, para atingir nossos objetivos comuns para assistência de vitimas e ir atenderem aos prazos de desminagem e destruição dos estoques de minas.

“O Tratado pelo Banimento das Minas criou um impactante processo para aliviar o sofrimento humano causado por minas terrestres antipessoal e para prevenir novas vítimas nos últimos 10 anos”, disse Steve Goose, chefe da delegação da ICBL. “O tratado quase fez cessar o uso desta arma no mundo, produziu a destruição de 44 milhões de minas, assistência às milhares de vítimas e programas de educação sobre o risco de minas. Esse sucesso é amplamente reconhecido pela contínua colaboração entre governos e sociedade civil. Essa parceria precisa ser reafirmada e continuar mais do que nunca na próxima, mais desafiadora fase na vida do Tratado de Banimento das Minas”.

Ainda que as taxas de novas vítimas decresçam durante a última década, a assistência às vitimas progrediu para a maioria dos setores que trabalham com as minas através da provisão de serviços. Centenas de milhares de pessoas necessitam urgentemente de mais ou melhores assistência.

“Nos últimos dez anos, nós, sobreviventes, temos feito muito por nós mesmos e por outros sobreviventes. Nós estamos pedindo por mais ações dos governos, mas não somos mendigos”, declarou Tun Channareth, Embaixador da ICBL e sobrevivente do Camboja. “compromissos concretos pela limpeza das minas, educação sobre riscos, reabilitação e inclusão econômica dos sobreviventes são interesses de todos, pois irão trazer mais paz, segurança e prosperidade”.

Apesar da limpeza de 2,2 milhões de minas terrestres antipessoal desde 1999, o prazo final de dez anos que o tratado impõe para a limpeza das minas provê um desafio enorme. “Quinze Estados parte obtiveram os prazos para a limpeza das minas, inicialmente para 2009, tiveram extensões concedidas no último ano, e mais quatro Estados estão pedindo concessões nesta semana,” disse Tamar Gabelnick, diretora da ICBL para a implementação do Tratado. “Precisamos que os governos presentes neste encontro se comprometam politicamente e financeiramente para garantir que os prazos para a limpeza das minas sejam atingidos e os recursos estejam disponíveis para os países fortemente afetados e que precisam deles.”

Oitenta por cento dos países do mundo são parte do Tratado pelo Banimento das Minas terrestres antipessoal, faltando apenas 39 Estados – Incluindo China, India, Paquistão, Rússia e os Estados Unidos que ainda não assinaram o Tratado. Contudo, a maioria destes países de fato demonstram concordarem com o objetivo principal do tratado, como não utilização, cessar comércio e a produção de minas. Myamar e Rússia são os únicos Estados que utilizaram minas pessoais nos últimos anos, juntamente com atores armados não Estatais em sete países.

“Em menos de dez anos, as minas terrestres antipessoal foram estigmatizadas em todo o mundo como uma arma inaceitável, inclusive nos países que ainda não fazem parte do tratado”, disse Sylvie Brigot, Diretora Executiva da ICBL. “Isto pode ser visto pelo aumento dos Estados Não-parte que estão atendendo à Reunião e Cúpula de Cartagena. Este fato reafirma para nós que um mundo livre de minas é uma missão possível.”

Texto original em http://www.icbl.org

The Cartagena Summit on a Mine-Free World

November 27th, 2009

Caros amigos. Estamos em Catagena, Colômbia. Já estão no Hotel Santiago Artur, Felipe Walter e Cristian Wittmann. Gustavo e Júlia estão a caminho. O evento sobre a Convenção de Ottawa começa amanhã. Estamos mantendo um blog para manter um registro online dos acontecimentos da viagem. Facilitará a produção de um relatório posteriormente.

http://geapac.blogspot.com

A viagem é cansativa, mas o local é muito bonito.

Temos que agradecer pelas ajudas providenciais sem as quais não estaríamos aqui: ICBL (Intenational Campaign to Ban Landmines), MAC (Mines Action Canada) e à UNIFRA (Centro Universitário Franciscano).

Abraços a todos.

Equipe GEAPAC.

“Dinheiro Sangrento”: Bancos Mundiais investem em Munições Cluster

November 24th, 2009

Traduzido por Felipe Walter e Júlia Rebelato

Mais de 90 países se comprometeram em banir as bombas cluster, que vitimam milhares de vidas anos após os conflitos. Ativistas dizem que uma mudança é improvável enquanto os maiores bancos mundiais continuarem investindo no desenvolvimento de armas.

Bombas Cluster matam e mutilam sem discriminação e são difíceis de detectar. Elas se abrem no ar e dispersam centenas de explosivos menores por uma grande área. Elas podem ficar ativas por anos, e eventualmente atingir civis inocentes em seu cotidiano.

“Uma bomba pode cobrir até dois campos de futebol em apenas uma explosão e muitas delas falham em explodir,” disse Thomas Nash da Cluster Munition Coalition. “No final você tem basicamente campos de minas terrestres que podem ficar por décadas, matando e ferindo pessoas muito após o conflito.”

Mesmo o mundo pedindo pelo banimento, os bancos continuam investindo bilhões em munições cluster, incluindo dois dos maiores bancos britânicos: HSBC garantiu $665 milhões de dólares em títulos da Textron, a firma americana que afirma que seus produtos deixam um “campo limpo”. O Banco Braclays emprestou $222 milhões de dólares, assim como financiou a Lockheed Martin.

Enquanto nações assinam a convenção para banir clusters, os credores estão esquivando o detalhe.

“A convenção por si só não deixa explicito o banimento do investimento em munições cluster” disse Roos Boer da organização IKV Pax Christ pela paz. “Ela se quer contem uma proibição sobre assitencia à produção. Nós sentimos muito que esta assistência na produção significa investimentos. Se você investe em uma companhia você dá assistência [na] produção dessas armas mortais”

A inglaterra não está sozinha. O Citigroup e o Banco Alemão emprestaram mais de  um bilhão de dólares. Ativistas dizem que se os clientes diários destes bancos soubessem para onde o dinheiro está indo, eles ficariam furiosos.

Eles possuem clientes em todo mundo que confiam nestas companhias e acreditamos que depende destes bancos parar este envolvimento porque estes clientes não querem que seu dinheiro seja investido nestes produtores de munições cluster” disse Esther Vanderbroek da Netwerk Vlaanderen.

Os protestos dos ativistas demandam respostas dos bancos londrinos. Somente Barclays respondeu, dizendo que sua política é anti cluster, mas adminitindo que emprestou dinheiro à Textron como uma “ampla fabricante de armas”

90 paises já se comprometeram em banir as cluster no proximo ano, mas somente um quarto tomou isto como lei. Os Estados Unidos se quer assinaram o tratado. Israel usou as munições contra o Libano em 2006, e elas foram utilizadas no Iraque e no Afeganistão.

Governantes e fabricantes de armas sem dúvida nenhuma possuem sangue em suas mãos pelas munições cluster. Mas mesmo que legisladores estejam no poder, são os bancos que controlam as chaves do dinheiro. Ativistas dizem que, até que eles trabalhem juntos, há pouco para parar o comercio da morte, horrível morte.

Disponível em: http://www.russiatoday.com/Top_News/2009-11-17/cluster-bombs-barclays-hsbc.html

TRATADO ANTI-MINAS EM PROGRESSO, vidas e membros salvos De acordo com o Landmine Monitor Report 2009 lançado hoje > dia 12 de Novembro de 2009

November 16th, 2009

traduzido por Andréia Osmari

GENEBRA, 12 de Novembro de 2009 – Desde 1997 o Tratado de Proibição de Minas entrou em vigor há dez anos, registaram-se progressos significativos na erradicação de minas antipessoal, mas ainda há muito trabalho, de acordo com o Landmine Monitor Report 2009: Rumo a um Mundo Livre de Minas, um relatório feito pela Campanha Internacional para Banir as Minas Terrestres está sendo lançado hoje na Organização das Nações Unidas.

O uso mundial, produção e comércio de minas antipessoal reduziu drasticamente. Cerca de 3.200 km2 de terra foram limpos de minas e resíduos explosivos de guerra (ERW), e novas vítimas a cada ano diminuiu significativamente para 5.197 vítimas registradas em 2008. No entanto, persistem ainda sérios desafios, com mais de 70 estados ainda hoje afetados pelas minas. A assistência aos sobreviventes de minas, contudo, ainda não dá conta do trabalho que é necessário.

“A norma contra o uso de minas está firmemente tomando conta”, disse Steve Goose da Human Rights Watch, Editor do Ban Monitor de Minas Terrestres, “as minas antipessoais foram estigmatizados como uma arma inaceitável no mundo inteiro, inclusive por países que permanecem fora do Tratado de Proibição de Minas.” Oitenta por cento dos países do mundo fazem parte do Tratado de Proibição de Minas. Trinta e nove países, incluindo China, Índia, Paquistão, Rússia e os Estados Unidos, ainda têm de aderir ao Tratado, mas a maioria está em cumprimento de fato com muitas das principais disposições do tratado. Nos últimos anos, Mianmar e Rússia são os únicos a utilizar minas antipessoal. A não-utilização por grupos armados passaram de uma alta de 19 países em 2001 para sete países em 2008.

A produção diminuiu, com 38 países formalmente suspendendo a produção de minas, deixando apenas 13 países como potenciais produtores. Nenhum comércio entre os Estados foi confirmado desde 1999. Durante a última década, o comércio mundial de minas antipessoal foi composto pó um baixo nível de transferências ilícitas e não reconhecidas.

Durante a última década, os Estados Partes destruíram 44 milhões de minas antipessoal. Etiópia, Indonésia, Kuwait e completou a destruição do estoque em 2008-2009. Embora 86 Estados-Partes completaram a destruição de suas minas armazenadas, três estados – Bielo-Rússia, Grécia e Turquia – falharam os prazos de Destruição em 2008 e manteve-se em grave violação do tratado a partir de Novembro de 2009.

Desde 1999, as operações de desminagem terem salvo milhares de vidas através da remoção de mais de 2,2 milhões de minas antipessoal, 250.000 minas anti-veículo, e 17 milhões de explosivos em uma área com o dobro do tamanho de Londres (3.200 km2) em mais de 90 países e áreas. Em 2008, os programas de ação contra as minas desminou uma área do tamanho de Bruxelas (160km2), o maior afastamento total anual já registrado pelo Monitor de Minas Terrestres. Em 2009, a Tunísia tornou-se o 11 º Estado-Parte a completar suas obrigações no âmbito do Tratado de apuramento. Mesmo Estados que ainda não aderiram como o Líbano, Nepal e Sri Lanka, vêm realizando operações de remoção de minas importantes.

No entanto, assegurar que Estados Partes cumpram suas obrigações de tratado via mandato de desminagem parece ser um desafio formidável. De acordo com Stuart Casey-Maslen da Ajuda Popular da Noruega, Editor do Monitor de Minas Terrestres, “A Quinze estados, foram concedidas prazos de desminagem dispostos pelo tratado em 2009 com prorrogações de até 10 anos para concluir a limpeza, embora alguns como o Reino Unido e Venezuela, tenham exercido pouco esforço para cumprir os seus prazos originais”. Os pedidos de prorrogação de prazos de mais quatro Estados-Partes em 2009 e 2010 serão consideradas no Tratado da Segunda Conferência de Revisão.

Embora as taxas de acidentes terem diminuído de forma constante na última década, o número total de vítimas ainda é muito elevado. De 1999-2008 Monitor de Minas identificou 73.576 vítimas em 119 países / áreas. A coleta de dados é pobre em muitos países, de modo que o número real de vítimas é provavelmente muito maior. “O Tratado de Banimento levou a vida e os membros salvos durante a última década”, disse Jacqueline Hansen, gerente de programação do Monitor de Minas Terrestres, na próxima década, mais países devem cumprir suas obrigações de desminagem e os esforços para educar as comunidades afetadas sobre os perigos de minas deve ser sustentado para garantir que não haja mais pessoas mortas ou feridas por indiscriminado dessas armas”.

“Assistência às Vítimas fez o menor progresso dos setores mais importantes de ação de minas na última década, com tanto o financiamento quanto a prestação de assistência aquém do que é necessário”, disse Stan Brabant da Handicap International, um membro do Monitor de Minas Terrestres do Conselho Editorial. “O progresso nos estados mais afetados foi variável, com alguns países que participam ativamente, e outros quase nada. Centenas de milhares de pessoas precisam de mais e melhor assistência, e eles precisam agora.

O apoio internacional para ação contra minas totalizaram E.U.A. 517,8 milhões dólares em 2008. Fundos vieram de 23 países e a Comissão Européia (CE). Os cinco maiores doadores foram a CE, os E.U.A., Japão, Canadá e Noruega, enquanto os cinco principais beneficiários foram o Afeganistão, Sudão, Iraque, Líbano e Camboja. Mais de US $ 4 bilhões foram alocados para ações contra as minas desde 1999.

Monitor de Minas Terrestres é a investigação e acompanhamento do Programa Prêmio Nobel da Paz na Campanha Internacional para Banir as Minas Terrestres. Anualmente desde 1999, o Monitor de Minas informou sobre as conseqüências humanitárias das minas, munições, explosivos  implementação e outros analisada ao cumprimento do Tratado de Proibição de Minas Terrestres de 1997. Landmine Monitor Report 2009 edita relatórios sobre a política de proibição de desminagem, as vítimas, educação sobre os riscos, assistência às vítimas e apoio para ação contra minas em todos os países do mundo e outras oito áreas não reconhecidas internacionalmente como estados. Também inclui uma especial de revisão de dez anos dos progressos realizados desde a entrada em vigor do Tratado de Proibição de Minas em 1999.

Este relatório está sendo lançado antes da Segunda Conferência de Revisão do Tratado de Proibição de Minas, a Cimeira de Cartagena sobre um Mundo Livre de Minas, a ser realizada na Colômbia em novembro 29 – dezembro 4.

O Monitor de Minas é coordenado por um Conselho Editorial provenientes de cinco organizações: Mines Action Canada, Handicap International, Human Rights Watch, Landmine Action, e a Ajuda Popular da Noruega. Constitui uma forma sustentável e sistemática para ONGs monitorarem e informar sobre a implementação da ajuda humanitária e os tratados de desarmamento.

Landmine Monitor Report 2009 e documentos relacionados estão disponíveis em 01:00 GMT www.lm.icbl.org/lm/2009 no dia 12 de Novembro.

Para mais informações ou para agendar uma entrevista contactar:

Ms. Jacqueline Hansen, Landmine Monitor Program Manager, Genebra (GMT +1), Mobile +41-78-606-94-68 ou +1-613-851-5436, e-mail jackie@icbl.org
»Ms. Amelie Chayer, ICBL Communications Officer, Genebra (GMT +1), Mobile +41-78-728-53-20 ou +33-6-89-55-12-81, e-mail amelie@icbl.org

TRADUÇÃO ANDRÉIA OSMARI

Parem com investimentos explosivos – Você está financiando as bombas cluster?

November 14th, 2009

Júlia Marques Rebelato

Assim como o Tratado de Ottawa está salvando milhares de pessoas todos os anos, espera-se que os governos reconheçam a realidade das munições cluster e promovam a assistência às vítimas sobreviventes, na criação de leis ou políticas que proíbam qualquer investimento indiscriminado dessas armas.

A CMC (Cluster Munition Coalition), com o lançamento da campanha “Stop Explosive Investiments – Are you funding cluster bombs?”, ciente do alto investimento das munições cluster pelos bancos, atualmente somam mais de 138 ao redor do mundo, investindo 20 bilhões de dólares na produção dessas bombas. Essas empresas são financiadas por uma série de bancos e instituições financeiras. Alguns países que assinaram o tratado de Oslo, como Japão, Alemanha, e Reino Unido estão sendo investigados, pois continuam a investir em empresas que produzem bombas de fragmentação. O relatório está sendo produzido pelos membros da CMC, intitulado como “Os investimentos no mundo em bombas de fragmentação: uma responsabilidade compartilhada”. Atualmente, US$ 5 bilhões de dólares estão sendo fornecidos em empréstimos para produtores de bombas cluster, mais de US$ 4,2 bilhões de dólares americanos estão previstos em serviços bancários de investimento, e US$ 11,8 bilhões de dólares são de propriedade ou geridos em ações e obrigações.

A campanha lançou quase um ano após a assinatura da Convenção sobre Munições Cluster em dezembro de 2008 em Oslo, na Noruega, um apelo aos governos para conter o fluxo de dinheiro aos produtores dessa arma indiscriminada. A nova campanha da CMC é intitulada como “Pare com investimentos explosivos – Você está financiando as bombas cluster?.“Os governos fizeram história quando assinaram a proibição de Bombas de Fragmentação no ano passado. Agora, precisam deixar claro que o financiamento à produção de bombas de fragmentação é inaceitável e contraria o espírito da proibição, disse Thomas Nash, coordenador da Coalizão Munições de Fragmentação (CMC).

A Convenção de Munições Cluster é um tratado internacional que proíbe o uso, transferência, produção e armazenamento das munições cluster que requer que países, ao assinarem este tratado, cooperem na assistência às vítimas sobreviventes às munições cluster. Atualmente, assinaram o Tratado de Oslo 101 países e 23 já o ratificaram. Para o tratado entrar em vigor, 30 países deverão ratificá-lo.

Uma notícia recente, publicada pelo jornal “The Gardian”, anuncia que o comércio de bombas cluster é financiada pelo mundo por um dos maiores bancos mundias, o HSBC, que lucrou mais de £ 650 milhões de libras em taxas de trabalho para Textron, EUA, fabricante de armas de fragmentação.

Em contrapartida, pelo site “Defense Professionals”, afirma que a MBDA (The Minority Business Development Agency), empresa especializada na área dos sistemas de mísseis, está respondendo a uma solicitação de proposta emitida pela Agência de Manutenção e Aprovisionamento da “NATO”, em nome do Ministério Britânico da Defesa, e está respondendo a um pedido de informações da DCMAT, o material e o braço de manutenção do Exército francês, disse em comunicado a companhia:” A proposta MBDA é abrangente e madura em oferecer a melhor relação de solução custo-eficácia para ambas as NAMSA e DCMAT”, disse Antoine Bouvier, executivo da MBDA. Em consonância com o espírito do Tratado de Oslo, o Reino Unido e a França já estão com a possibilidade de desmilitarizar o seu inventário de submunições equipados com foguetes MLRS. Como resultado, NAMSA (de Manutenção e Abastecimento da NATO), emitiu uma RFP (Request for Proposals), em nome do Ministério da Defesa do Reino Unido, enquanto DCMAT (braço de materiais e manutenção do exército francês) emitiu uma RFI ( Request for Information), para obter as soluções da indústria. Em resposta, a MBDA apresenta um custo altamente efetivo na solução que seja compatível com a vasta gama de segurança e questões ambientais envolvidas.

As bombas de fragmentação mataram e feriram milhares de civis durante os últimos 40 anos, e continuam a fazê-lo até hoje. Utilizado em mais de 30 países, as munições cluster mataram e feriram dezenas de milhares de civis. Mais de 380 milhões de bombas foram usadas no Camboja, Laos e Vietnã na década de 1970 e muitas delas ainda estão matando as pessoas hoje. Na última década, as bombas de fragmentação foram usadas na Albânia, na ex- Iugoslávia, República Democrática do Congo, Iraque, Afeganistão,Líbano, Israel e Geórgia.

Nos últimos dias, ativistas fizeram uma vista aos dois principais bancos que investem em bombas de fragmentação no Reino Unido, a Barclays e HSBC, para pedir-lhes para desinvestir nesta arma proibida.